Posted by : RodrigoPatoDonald quarta-feira, fevereiro 10, 2016

"Estrela que ilumina meus passos lá no céu.... chega no meu coração...."




Hoje quero falar de um assunto pertinente! Quero falar da “famigerada” série Bishoujo Kamen Powatrin (ou Estrela Fascinante Patrine, como ficou conhecida aqui no Brasil). Para alguns, a série é famigerada sem as aspas. Mas, é pra tanto? Perguntem para qualquer pessoa sobre a série. Possíveis respostas que vocês vão ouvir sobre a série: “A série é tosca!”; “Essa série NEM deveria ser chamada de toku!”; “Essa série estragou a vinda de tokus de VERDADE para o Brasil!”; “É uma série muito nonsense e cheio de falhas!”; entre outras variantes dessas frases. Mas, é pra tanto?

Um pouco sobre Patrine. A série original se chama, como já falei, Bishoujo Kamen Powatrin (Traduzindo ao pé da letra, Bela Mascarada Powatrin, que quer dizer seios em francês). Uma criação do mestre Ishinomori para o ano de 1990. E, acreditem, Patrine foi um dos xodós do mestre. Ele tinha um imenso carinho pela série. O objetivo dele era de caráter experimental. Era fazer uma série de 28 episódios para o público feminino de 4 a 8 anos. Afinal, esse público estava praticamente esquecido da mídia japonesa. Vocês sabem qual foi o resultado? Um sucesso estrondoso! Uma estética simples, com um visual simples, mas caprichado, uma história que, em alguns casos, beira ao lado banal, mas, que cativa e efeitos especiais simples, onde não se tem lutas elaboradas, pois para Patrine, o que contava era o intelecto, e não a força bruta. Por isso, não esperem dela uma Pink Flash ou uma Gosei Yellow ou até mesmo uma Time Pink, pois a heroína da série NÃO foi feita para isso. E sem falar nos tipos de vilões que ela enfrentava, que beiravam aos tipos caricatos, do mesmo moldes dos vilões do Batman do seriado homônimo da década de 60. Mesmo com esses ingredientes que podiam levar a série ao fracasso, o que vimos foi o inverso. A série se tornou ultra popular. A Toei vendeu horrores de bugigangas relacionadas à série. Por causa disso, tiveram que esticarem a série em dobro, praticamente. Patrine, que teria SÓ 28 episódios, foi para 52 (!). Emoticon gasp . Colocaram um vilão fixo (Diabolo) e ainda tinha os secundários. A trama abusava do humor pastelão, mas, que agradava as meninas JAPONESAS de 4 a 8 anos da época.

Mas, como Patrine foi recebida no Brasil? Bem... Japão é Japão... Brasil é Brasil... o que pode ter dado certo na terra do Sol Nascente pode não ter dado certo para os tupiniquins. Patrine chegou numa época em que os tokus já estavam estagnados na TV brasileira, no caso, o ano de 1993. Foi anunciada como a substituta da apresentadora Angélica, que saiu da emissora naquele ano. O slogan de chamada era mais ou menos assim: “Vem aí, a nova rainha dos baixinhos....”, e foi com essa frase que Patrine estréia nas manhãs da Manchete, no programa Dudalegria. Como falei, ela chegou não numa boa fase para os tokus. Primeiro, o gênero já estava saturado. Segundo, desde 1987, o público PRINCIPAL dos tokus eram os meninos (não to dizendo que tinha meninas que assistiam, mas, a vasta maioria eram meninos que assistiam as séries). De 1987 até 1993, se passaram 6 anos. Meninos que tinham 7 anos em 87 já estavam com 13 em 93, ou seja, no primeiro ano da adolescência. Eles já estavam acostumados com lutas sangrentas, combates com forte carga dramática, trilha sonora empolgante e vilões sérios. Aí, de repente, chega uma série onde não se tem super-poderes, efeitos especiais mirabolantes, monstros pavorosos, roteiro poderoso que te prende, mas o inverso, onde se apelam para a comédia pastelão, vilões caricatos que não possuem respeito, enfim, todo o inverso do que as pessoas estavam acostumadas a ver. O resultado disso tudo? Fracasso de audiência e falta de interesse dos telespectadores. A série, infelizmente, foi tão mal recepcionada que a série não foi nem dublada por completa. Muitas pessoas viraram o nariz para a mesma. A falta de uma heroína “sexy” com as de super-sentais e de heróis que exalam testosterona como os heróis nas outras séries fizeram o povo ter uma certa repulsa para a série. Mas, é para tanto? Bem... estou um ancião de tanto dizer que tokus são feitos por japoneses para crianças japonesas. E que nós, brasileiros, assistimos de penetras. Somos de um jeito e os japoneses são de outro. Patrine é uma série tão “tosca” que, de tanto ser “tosca” a faz ser uma série legal. Nós nunca vamos conseguir engolir até hoje o porquê de um vilão empanar brinquedos, o porquê de uma divindade shintoísta tirar férias na Itália numa Ferrari com uma loura ou um vilão roubar os cadernos das crianças para resolver as lições de casa e devolvê-los resolvidos. Mas, essas ilógicas fazem a série ter seu charme e ser um atrativo a mais. Patrine provou que não precisa ter uma heroína sexy, ter lógica, explosões mirabolantes, vilões e monstros pavorosos, mas sim, um carisma e uma simplicidade estética e moral que convencem. Patrine quebrou todos os paradigmas do conceito de se fazer tokus. E o resultado foi um sucesso estrondoso no seu país de origem. Por mais que MUITOS que se dizem “toku-fãs” aqui no Brasil digam que Patrine “nem deveria ser chamada ou mencionada no mundo toku”, a série não é de se jogar fora. Ela é excepcional. Merece ser vista e revista. Ela conseguiu suprir o seu objetivo: divertir as meninas de 4 a 8 anos no Japão e seu sucesso foi tanto que inspirou na criação de animes de sucesso como Wedding Peach e Sailor Moon (cujos autores reconhecerem que se inspiraram nessa série para criarem suas heroínas), teve um “remake” e ainda por cima aparece num dos filmes Taizen. E, na minha opinião, Patrine possui uma das melhores trilhas sonoras que já vi num toku, perdendo apenas para Fuun Lion Maru (tanto nas BGMs como nas OSTs). Se você engolir seu preconceito para uma série para meninas de 4 a 8 anos, vai ver em Patrine um TOKU (sim, querendo ou não, Patrine é um TOKU) que vai te dar horas de lazer e uma diversão saudável que move a nossa mente para uma infância simples e inocente. XD.

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    1. Sei que é difícil, mas seria ótimo se ao menos os episódios que não tem dublagem disponível fossem legendados...

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    2. é o que espero. só falta essa serie para eu completar minha coleção de herois da manchete e matar a saudado do ep que ela enfrenta o lobisomen que marcou minha infancia principalmente a cena que o cara olha o ovo e imagina a lua e se transforma no monstro até hoje não esqueço ^^

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    3. OLá, galera.
      Yea, Bishoujo Kamen Poitrine é possivelmente nossa próxima série, mas no momento não temos previsão para iniciar. Queremos primeiro terminar tudo que já está em nossas mãos... até mesmo porque não estamos lançando nossos projetos atuais com a frequência que gostaríamos.
      Culpem a vida corrida de hoje em dia...
      ^_^

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    4. bleza então vou ficar na espera por essa serie fantástica ^^

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    5. Eu só queria que tivesse legendas nos episódios que não foram dublados, tipo os últimos, que só encontro em japonês sem legendas.

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    6. eu tbm mano só assim daria menos trabalho ao pessoal do rampage ^^

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  2. Bom post. Patrine tem que ser encarada majoritariamente como comédia, e nesse quesito ela se sai muito bem, com suas situações bizarras e inimigos esdrúxulos. Sua comparação com a série do Batman dos anos 60 é bem pertinente.

    O roteirista principal de Patrine é o Yoshio Urasawa, que tem esse estilo de histórias malucas. Ele escreveu outras séries do gênero, e anos mais tarde seria o roteirista principal de Carranger.

    Só dois reparos:

    - Patrine não resgatou um público esquecido. A série faz parte de uma linhagem chamada Toei Fushigi Comedy Series, que vinha desde 1981. As primeiras séries geralmente mostravam as aventuras cotidianas de um grupo de crianças, que invariavelmente conviviam com criaturas estranhas como robôs ou pequenos monstrinhos. A partir de 1987 as séries assumiram um tom mais "heróico", com séries que mostravam um grupo de crianças detetives que se envolviam com a solução de crimes. E, em 1989 apareceu a primeira heroína, na série Garota Mágica Chinesa Pai Pai (魔法少女ちゅうかなぱいぱい!), seguida por Garota Mágica Chinesa Ipanema (魔法少女ちゅうかないぱねま!). Essas duas séries antecederam Patrine, ou seja, ela não foi um projeto pioneiro. Depois de Patrine ainda tivemos mais três séries, até que a franquia se encerrou em 1993 com Yugen Jikko Sisters Shushutorian (有言実行三姉妹シュシュトリアン) - a série que fez um inusitado crossover com Ultraman, e cujas atrizes depois fariam uma participação especial em Kakuranger (uma delas, Satomi Hirose, era a Tsuruhime no Esquadrão Ninja).

    - Patrine teve todos os seus episódios dublados. Ocorre que poucos gravaram a série na época, e por isso apenas cerca de 30 dos 52 episódios tem dublagem nos DVD´s que correm no mercado alternativo.

    Infelizmente, uma estratégia de marketing errada e o conservadorismo de alguns fãs fizeram com que Patrine não tivesse sido bem recepcionada em nosso país.

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    1. Obrigado pelas correções e as informações extras, Ricardo!! :D

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  3. Eu nunca entendi por que tanta repulsa com Patrine, eu adorei a série desde que a vi e me diverti muito com ela, tem momentos hilários e mesmo suas situações "atípicas" para séries japonesas que éramos acostumados se compensava com sua história leve e divertida, uma série para ser vista e revista, mas também, o que esperar da fã - base tupiniquim...

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    1. Bastante simples: por causa das dublagem altamente cagada que recebeu por aqui, e por terem misturado-a com os outros gêneros já manjados aqui (Metal Hero e Super Sentai). Me lembro que recentemente o Skaro Hunting Society legendou o primeiro episódio, e ficou bacaninha até com o áudio original. Mas a meu ver se essas Toei Fushigi Comedy Series tivesse um "esqueminha" à parte tanto Poitrine quanto as demais desse gẽnero poderiam ter sido melhor aceitas. E sim, em outro canal pois a Manchete já tava entupida com a programação.

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  4. gostava muito de ouvir a abertura em PT-BR.
    espero que os episodios nunca dublados sejam legendados um dia.

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  5. Tudo beleza, mas daí nesse caso seria bem mais negócio se legendarem a Robot 8-chan, visto que ninguém conhece.

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  6. uma coisa é condenar um fã DE HOJE, um adulto com mais de 30 anos, por não dar uma chance a uma série dessas. mas condenar uma criança daquela epoca é bem diferente. primeiro que, naquela epoca, a maioria nem sabia que "super herói japoneis" era na verdade "tokusatsu", tampouco se importava com detalhes tecnicos (tipo saber nome da série em japonês, qual sub-categoria fazia parte etc) tudo que importava era se divertir assistindo, e depois brincar com os amigos imitando seus heróis favoritos, ou encher o saco dos pais para comprar as bugigangas derivadas das séries. tenho certeza que, para uma criança do Japão na epoca de patrine, também interessava mais a meninas que a meninos. alguns simplesmente preferem esquecer que, no final dos anos 90, não existia fã de tokusatsu, mas sim pirralhos que adoravam "super herói japoneis" outra coisa interessante é o preconceito com a "fã - base tupiniquim" como se todo mundo agisse dessa forma. eu, desde que comecei a caçar tokusatsus pela net e disse "sou fã" (isso lã por 2001/2002)só encontrei 3 pessoas que falavam asneiras sobre tokusatsus, e mesmo assim se diziam fãs do mesmo. a maioria (seja conversando na net, em eventos de anime etc) sempre tiveram bom senso de reconhecer as séries tokusatsu por categorias e, mesmo não gostando de alguma especifica, ao menos respeitar. ser "fã de tokusatsu" não significa gostar de tudo relacionado ao tema. eu mesmo não gosto de Ultraman (há quem nem considere ultraman tokusatsu né?)... nem por isso sou menos fã ou "de base ruim".

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  7. assisti Patrine na e época. não era uma das minhas séries favoritas, mas eu ria muito XD.

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    1. Pra mim quem gosta gosta, quem não gosta, não gosta. Simples assim. Fora que a opinião das crianças ao menos é sincera, então se elas não gostavam é porque não gostavam mesmo. Eu mesmo achava Shaider a melhor das séries de Uchuu Keiji, mas hoje acho ela mei "marromeno", e aprecio bem mais o Sharivan (série que abominava em 1990). Não há nada de mal nisso.

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  8. Sailor moon e as outras heroínas que faziam "henshin" não se baseavam em Patrine mas sim em Cutie Honey que foi uma obra do Go Nagai e foi o percursor das mahou shoujo heroines.

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    1. Eu acho que tu não chegastes a ler revistas da época com uma entrevista de Naoko Takeuchi, onde ela dizia que se inspirou em Patrine para Sailor Moon, né?? É... com certeza não..... tu não tens idade para ter acompanhado essas revistas..... enfim.....

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  9. O FANSUB MORREU?? ANCIOSSIMO POR GOGO V, FALTA TÃO POUCOO!!

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  10. Série terrivelmente ruim e boboca...não consigo buscar qualidades nela

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